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Do Fitness pensado ao fitness sentido

Quando, há 20 anos, as primeiras aulas aeróbicas começaram a fazer sucesso em Portugal, seria ainda prematuro antever a explosão que, volvidas as décadas, os mercados do exercício físico e do bem-estar (e até da alimentação saudável!) teriam no nosso país.

Temos assistido a uma proliferação e aumento consecutivos de novas metodologias de treino e de abordagens diferentes dos próprios ginásios e health clubs que chegam aos portugueses com uma oferta cada vez mais personalizada e adequada às suas necessidades e rotinas reais. E é precisamente esta realidade que, hoje, faz com que a dinâmica na área tenha disparado, bem como a exigência de uma maior intervenção qualitativa, atenta e atualizada de todos os profissionais que nela se movem.

Quando, há 20 anos, o mercado do Fitness existia como novidade por si só, seria ainda prematuro antever a popularidade que as redes sociais assumiriam na sua visibilidade e divulgação ou o grau de importância de que se revestira a partilha dos últimos quilómetros de corrida percorridos na marginal de Oeiras. Atualmente, estamos perante uma realidade completamente distinta, com espaço para o comentário e intervenção direta do público, que exige também mais. Falamos de um universo, por isso mesmo, obrigatoriamente, mais competitivo. Paradoxalmente, ou de forma complementar, é também um universo com mais informação, escolha e uma maior consciência global de que todos temos o privilégio de atuar numa área que contribui, realmente, para vidas mais saudáveis e felizes, independentemente da forma.

Se, há uns anos, o mercado do Fitness e a sua própria oferta eram essencialmente racional – que localização escolher para o ginásio, que programas oferecer, quais os passos da coreografia a decorar – hoje o público e as suas dinâmicas exigem muito mais, um upgrade que passa, diariamente, por novas questões como:

Que personalidade deve o ginásio ter?

Que ações deve realizar para as transmitir?

Como concretizar, efetivamente, a missão a que nos propomos de melhorar vidas?

E esta última é, sem dúvida, o turning point. Porque ter um ginásio ou health club não é o mesmo que fazer parte de um negócio na área da saúde, mas não deixa de ser negócio cuja premissa é tornar mais saudáveis os seus clientes. E até que ponto são suficientes os equipamentos para esse fim, no espaço de cardio, musculação e treino funcional ou mesmo as aulas de grupo? A necessidade de tornar cada vez mais multidisciplinar esta área, numa dicotomia que mantém a especialização, é premente. Por isso, assistimos a um maior enquadramento de parcerias que promovem, por exemplo, acompanhamento nutricional ou a criação de eventos próprios e dias abertos à comunidade. É um caminho diferente, mais completo, para pessoas mais saudáveis a todos os níveis: físico (corpo e organismo) e mental.

O resultado é uma maior eficácia na missão proposta. Porque o Fitness, nesta ótica, passa a ser sentido. Há um maior envolvimento e sentimento de pertença, não ao espaço do ginásio ou clube mas a uma comunidade que acredita e partilha outro tipo de valores. Que privilegia o bem-estar, o cuidado com o corpo, a saúde e a qualidade de vida. E que então depois escolhe, em função de tudo isso, o espaço que melhor o transmite para si.

Um outro exemplo desta elevação do conceito são as campanhas de solidariedade e o alcance e impacto que conseguem obter, neste mesmo âmbito. A neozelandesa Les Mills, empresa fundadora dos programas mais populares de aulas de grupo em todo o mundo, leva a cabo este ano uma dessas mesmas campanhas que já nem sequer é local, mas para todos os países que queiram aderir. Chama-se “Move the World” e visa fazer chegar água potável aos países de África.

A sua implementação não poderia estar mais dentro do que vimos antes: implica a organização de eventos próprios em cada ginásio, envolvendo os seus sócios e motivando-os para um objetivo comum que os lembra que, tal como eles que pretendem ser mais saudáveis, também está ao seu alcance contribuir para propagar esse efeito. Por outro lado, esta união por objetivos comuns aumenta também o sentimento de pertença e de identificação com os espaços que o incentivam.

Em Portugal, e porque já existe um evento que une os principais players do mercado do Fitness - #Portugalfit, é lá que ganha também palco esta campanha (sobre a qual é possível saber mais em portugalfit.pt), revertendo a ida de cada pessoa ao evento (devidamente comprovada com fotografia partilhada nas redes sociais) em 50 cêntimos para a UNICEF – entidade destinatária.

São ações que refletem a conjuntura e exigência de um público cada vez mais informado, participativo, com ferramentas para participar e uma voz ativa. Mas, acima de tudo, a maior consciência e conhecimento de todos os envolvidos neste mercado porque, quanto mais se sabe e se é exposto a novas tendências de treino e correntes de pensamento saudável, maior responsabilidade existe em personalizar opções, oferecer maiores resultados e intervir, realmente, de forma positiva e com qualidade, na vida das pessoas.