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Exercício na Gravidez. Porque não aproveitar as suas vantagens?

É bastante seguro continuar ou até começar uma rotina de Exercício Físico durante a Gravidez. Há alguns cuidados a ter, mas os benefícios são infindáveis para a Gestante e para o Bebé. Tem uma relevância extrema que nós, enquanto técnicos, estejamos prontos para ajudar conscientemente esta população.

Durante muito tempo, o medo do impacto do Exercício na Gravidez impediu, e ainda impede, muitas futuras mamãs de continuar ou iniciar a atividade física. Impediu inclusivamente vários agentes de saúde de aconselhar a prática orientada de Atividade Física. Este fator, em junção com a crescente falta de hábitos de vida saudáveis, trouxe-nos um conjunto de preocupações que, por vezes, atormentam esta fase maravilhosa da vida de um casal.

Felizmente, a ACOG (American Congress of Obstetricians and Gynecologists) veio ajudar a trazer alguma luz sobre o assunto e dar-nos diretrizes muito específicas sobre a segurança para a grávida e feto. Essas guidelines podem dividir-se da seguinte forma:

  • Recomendações
  • Contraindicações relativas
  • Contraindicações absolutas
  • Sinais de Interrupção do Exercício

Recomendações

Atualmente o recomendado pela ACOG, em parceria com alguns investigadores, é a prática de exercício físico 5 vezes por semana com a duração de aproximadamente 30 minutos. Os objetivos gerais passam por controlar o ganho de peso durante a gestação consoante o IMC prévio à gravidez (Tabela 1), bem como aliviar alguns desconfortos e prevenir algumas condições inerentes a este período. O treino deve ser fundamentalmente aeróbio entre 60 e 70% da FCMax ou entre 12 e 14 da Escala de Borg, devendo sempre haver uma componente de resistência muscular (preparando os incómodos físicos próprios de ter um bebé) e flexibilidade (há indícios de que ajuda a modelar a tensão arterial na gestante). Não devemos nunca alienar também o Pavimento/Soalho Pélvico. Não apenas o fortalecimento, mas acima de tudo o conhecimento e controlo do mesmo, uma vez que terá de permitir a formação do canal de parto. Os exercícios de Kegel são uma forma bastante conhecida de abordar esta região.

Contraindicações e Sinais de Interrupção

Existem várias contraindicações das quais o Técnico de Exercício Físico deve ter conhecimento. Desde as absolutas, como por exemplo a Doença Cardíaca significativa ou a Placenta Prévia, até às relativas que não impedem a prática mas limitam a mesma (e.g. Anemia ligeira ou o IMC <12). Essas contraindicações devem ser um ponto fulcral na avaliação inicial e balizam todo o planeamento para o treino ao longo da gestação.

Independentemente da existência ou não de alguma contraindicação relativa, existem vários sinais claros para a interrupção imediata da pratica de exercício físico, pelo menos até à consulta de um médico. Entre eles estão o sangramento vaginal ou as contrações dolorosas regulares.

Vantagens

A forma encontrada pelos investigadores para avaliar a influência do exercício físico, foi a análise detalhada dos resultados ou outcomes da gravidez. Estes podem ser divididos em 3 categorias: a Gestante/Mãe, o Parto e o Bebé.

Sabemos já que a gestante ativa terá menos probabilidade de desenvolver Preeclampsia (uma patologia que não tratada poderá causar complicações severas e pode obrigar a um parto pré-termo), Hipertensão Arterial relacionada com a gravidez e, ainda, Diabetes Gestacional. Há ainda fortes crenças de que a atividade física pré gravidez e durante a gestação pode diminuir a dimensão da Diástase Abdominal (separação do músculo rectus abdominis na zona da linea alba) no pós-parto. Esta ocorrência é uma das maiores problemáticas no pós-parto e toma um papel fundamental na autoestima e sistema emocional da puérpera (mulher no período imediatamente após o parto). Com o aumentar da idade média das mulheres que decidem engravidar, os riscos de disfunções urinárias e sexuais após o parto tornam-se significativos. O reforço muscular do pavimento pélvico tem aqui um papel fundamental e conseguirá até reverter muitos destes casos.

Quanto ao parto propriamente dito, sempre que seguidas as recomendações da ACOG, o exercício não provoca qualquer aumento de incidências pré-termo. Há sim fortes indícios que ajuda a reduzir o número de cesarianas e partos distócicos, acelera a primeira fase do parto (dilatação) e pode ainda ajudar a reduzir o número de rasgos e episiotomias.

No caso do bebé, este parece ainda beneficiar da prática regular de exercício por parte da mãe, sendo que alguns estudos mostram que a incidência de baixo peso e macrossomia na altura do parto diminuem.

Atenção: sensivelmente a partir da 20ª semana de gestação não devemos promover o decúbito dorsal por mais de 5 minutos devido ao Síndrome Hipotensivo Supino. Esta situação acontece quando o útero tem um tamanho/peso suficiente para pressionar a veia cava inferior e diminuir o retorno venoso daí proveniente. Nesta situação a gestante poderá sentir tonturas, náuseas e dificuldade em respirar. Uma solução temporária (caso o decúbito dorsal seja imprescindível) pode ser a colocação de uma inclinação na zona da cintura escapular ou uma almofada na zona pélvica, apenas para que o útero se desloque ligeiramente.