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Utilização de pró-hormonas em ginásios

Frequentemente, os suplementos ergogénicos, que interferem na melhoria do desempenho atlético, energia, aparência física, têm sido utilizados não apenas por atletas profissionais, mas também por amadores (1), muitos deles até comercializados em ginásios. 

Na sequência da proibição da comercialização e utilização dos esteroides anabolizantes, as substâncias pró-hormonais surgiram como uma alternativa, uma vez que, devido às suas caraterísticas bioquímicas, são equivalentes aos esteroides anabolizantes e possuem a mesma finalidade. Apesar de se saber que o consumo tem vindo a aumentar, é difícil estimar a sua prevalência entre os atletas, mas segundo alguns relatórios, rondam os 5 a 31% dos atletas recreativos e profissionais (4-8). 

No desporto de competição existem dois tipos de doping: o direto quando ocorre o consumo de testosterona e análogos sintéticos; e o indireto que pressupõe a utilização de componentes que estimulam a testosterona endógena, no qual se enquadram as pró-hormonas, uma vez que são compostos que, ao serem ingeridos, são transformados em hormonas, o que conduz a um aumento dos níveis hormonais no organismo (2,3). 

Na sequência da proibição da comercialização e utilização dos esteroides anabolizantes, as substâncias pró-hormonais surgiram como uma alternativa, uma vez que, devido às suas caraterísticas bioquímicas, são equivalentes aos esteroides anabolizantes e possuem a mesma finalidade. Apesar de se saber que o consumo tem vindo a aumentar, é difícil estimar a sua prevalência entre os atletas, mas segundo alguns relatórios, rondam os 5 a 31% dos atletas recreativos e profissionais (4-8). 

Atualmente, deparamo-nos com a existência de uma grande variedade não só de suplementos ergogénicos, entre eles os esteroides androgénicos anabolizantes (EAA), cafeína, efedrina, eritropoietina, diuréticos, creatina, como também técnicas para melhorar a performance física, como o treino em grandes altitudes, transfusões sanguíneas e ainda um conceito recente como é o doping genético (9). Sabe-se que os mais utilizados no mundo do desporto são os EAA, hormona de crescimento (GH) e eritropoietina (EPO) (10).  

Porém são os EAA que maior interesse suscitam, dada a sua diversidade e a forma como podem ser complementados. 

Afinal o que são Esteroides androgénicos anabolizantes (EAA)? 

Os EAA são análogos sintéticos da testosterona e derivados, manipulados laboratorialmente para potenciar os efeitos anabólicos e minimizar os efeitos androgénicos (1,11,12). Os EAA incluem (3,12,13): 

  • Esteres de testosterona (injetáveis): Deca-durabolin (decanoato denandrolona), Durabolin (propionato de nandrolona), Depo-testosterona (cipionato de testosterona); 
  • Androgénios sintéticos:  
    • Derivados alquilados (compostos ativos oralmente): Anadrol (oxymetholone), Oxandrin/Anavar (oxandrolona), Dianabol (methandrostenolone), Windstrol (stanozolol) e Danazol; 
    • Derivados da nortestosterona: Decanoato de Nandrolona), tendo um grande efeito anabólico; 
  • Esteroides de uso exclusivamente veterinário: muito usados no mundo do culturismo. Um exemplo é a Boldenona (nome do medicamento: equipoise ou equifort); 
  • Designer drugs: tetrahidrogestriona (THG) foi desenvolvida com o intuito de não ser detetada pelos protocolos de rastreios antidopagem dos Jogos Olímpicos de 2000 (19); 
  • Precursores androgénicos: Os compostos androstenediona e DHEA já foram comercializados de forma livre como suplementos alimentares; 
    • A androstenediona (pode assumir os nomes comerciais andromax, androstat 100) foi bastante comercializada como um fármaco contra o envelhecimento. Contudo, EM 2004 a FDA reiterou o seu afastamento, uma vez que haviam bastantes efeitos laterais (1); 
    • Deidroepiandrosterona (DHEA) (comercializada por fidelin, prostera, fluasterone) foi considerada “a droga maravilha” pelas suas propriedades anti envelhecimento. Porém, devido ao risco dos efeitos adversos e ausência de estudos qua avaliem a sua utilização a longo prazo, também não é recomendado o seu consumo (1). 

Quanto aos outros suplementos ergogénicos em cima mencionados, aqui ficam os mais utilizados (14): 

  • Efedrina (Hot Body Ephedra; Asia Black 25; Thin Quick; Bolt Ephedrine): tem efeitos estimulantes que se assemelham ao das anfetaminas e é usada em suplementos nutricionais, cuja aplicabilidade se centra na perda de peso, aumento da energia e concentração; 
  • Eritropoietina (EPO) (Epogen, Procit): hormona produzida pelo rim que estimula a eritropoiese (formação de glóbulos vermelhos), que por sua vez induz uma maior capacidade de transporte de oxigénio e aumenta a resistência; 
  • Doping sanguíneo: transfusões de sangue antes da competição; 
  • Hipoxia induzida: realizada através de treinos em altas altitudes; 
  • Creatina (CellTech Hardcore, Femme Advantage, Rejuvinix...entre outros): talvez dos suplementos que mais se comercializa, com diferentes nomenclaturas. A Creatina é um aminoácido que atua como substrato para a síntese de adenosina trifosfato (ATP), que por sua vez origina a produção de energia; 
  • Sildenafil (viagra): provoca um aumento da oxigenação através da vasodilatação; 
  • Doping genético: consiste na inserção de genes de eritropoietina em células, diretamente na medula óssea ou no músculo; 
  • Diuréticos e agentes mascarantes (tiazidas, amiloride, espironolactona, probenecide, expansores plasmáticos): substâncias que não têm efeitos dopantes, mas que são usadas para rapidamente haver excreção urinária e assim, não haver deteção de substâncias ilegais. 

No que toca à sua utilização, existem várias formas de as consumir e combinar. As mais frequentes são em ciclo, stacking e pirâmide. O termo ciclo refere-se ao uso intermitente dos EAA em que o consumo dura cerca de 4-12 semanas, havendo depois pausas de cerca de 4-6 semanas. O stacking consiste na utilização em simultâneo de 2 ou mais EAA orais e injetáveis com aumento gradual da dose durante curtos períodos. A pirâmide refere-se ao aumento das doses ao longo do ciclo até doses suprafisiológicas (cerca de 10-40 vezes superiores às doses terapêuticas), seguido de diminuição progressiva (2,3,13,15). 

Exemplo da utilização mista é por exemplo a toma EAA e de moduladores dos recetores seletivos dos estrogénios, como o tamoxifeno e raloxifeno. Estas moléculas têm uma ação anti estrogénica no tecido mamário e, como tal, poderão ajudar no combate à ginecomastia (2). 

Dada a diversidade de suplementos alimentares que contém muitas dessas substâncias, por vezes até de forma pouco clara, torna-se difícil fazer um correto aconselhamento sobre a sua utilização. É importante referir que os benefícios proporcionados por estas substâncias não se sobrepõem aos possíveis efeitos adversos, muitas vezes causados, por falta de estudos que analisem quais as doses e formas de utilização mais corretas. Atualmente, os efeitos adversos identificados são inúmeros, atingindo o sistema nervoso central, cardiovascular, endócrino, hepático, músculo-esquelético, renal e dermatológico (1,2). 

Acima de tudo, os profissionais de saúde devem estar sensibilizados para esta questão e ajudarem os atletas profissionais e recreativos a alcançarem os seus resultados sem a utilização destas substâncias. No caso de o consumo ser uma realidade, estarem atentos aos principais indicadores de utilização excessiva, nomeadamente hipertrofia muscular com ganho ponderal, alteração do comportamento, acne, sinais de feminização no homem e virilização nas mulheres, aumento da pressão arterial inexplicada e alterações analíticas, de modo a alertá-los para os riscos inerentes da sua utilização. 

Referências Bibliográficas: 

1. Fernandez MMF. Performance-enhancing drugs snare nonathletes, too. J Fam Pract. 2011;58:16–23. 

2. Pope HG, Wood RI, Rogol A, Nyberg F, Bowers L, Bhasin S. Adverse health consequences of performance enhancing drugs: An Endocrine Society scientific statement. Endocr Rev. 2013.  

3. Basaria S. Androgen abuse in athletes: Detection and consequences. J Clin Endocrinol Metab. 2010;95(4):1533–43 

4. Korkia P, Stimson G V. Indications of prevalence, practice and effects of anabolic steroid use in Great Britain. Int J Sports Med. 1997 Oct;18(7):557–62. 

5. Simon P, Striegel H, Aust F, Dietz K, Ulrich R. Doping in fitness sports: estimated number of unreported cases and individual probability of doping. Addiction. 2006 Nov;101(11):1640–4. 

6. Striegel H, Simon P, Frisch S, Roecker K, Dietz K, Dickhuth H-H, et al. Anabolic ergogenic substance users in fitness-sports: a distinct group supported by the health care system. Drug Alcohol Depend. 2006 Jan 4;81(1):11–9. 

7. Kanayama G, Gruber AJ, Pope HG, Borowiecki JJ, Hudson JI. Over-the-counter drug use in gymnasiums: an underrecognized substance abuse problem? Psychother Psychosom. Jan;70(3):137–40. 

8. Buckman JF, Yusko DA, White HR, Pandina RJ. Risk profile of male college athletes who use performance-enhancing substances. J Stud Alcohol Drugs. 2009 Nov;70(6):919–23. 

9. M. Rocha et al. O uso de esteroides androgénicos anabolizantes e outros suplementos ergogénicos – uma epidemia silenciosa. Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2014;9(2):98–105  

10. Lanfranco F. Hormones and athletic performance. Newsletter of the European Society of Endocrinology. Issue 17 Winter 2011/12. Disponível em: http://www.ese-hormones.org/news/newsletter.aspx?id=17 

11. Kersey RD, Elliot DL, Goldberg L, Kanayama G, Leone JE, Pavlovich M, et al. NationalAthletic Trainers’Association position statement:Anabolic-androgenic steroids. J Athl Train. 2012;47(5):567–88. 

12. Snyder PJ, Martin KA, Matsumoto AM, O’Leary MP. Use of androgens and other hormones to enhance athletic performance. UpToDate. 2013. Last updated: May14, 2013 

13. Ribeiro B. Esteroides Androgénicos Anabolizantes (EAAs) – uma breve revisão. Rev Med Desp informa. 2011;2:22–5 

14. Baron  D,  Eamranond  P,  Matsumoto  AM.  Non-hormo ment.  UpToDate.  2013.  Last  update:  Abr  23,  2013. 

15. Evans NA. Current concepts in anabolic-androgenic steroids. Am J Sports Med. 2004;32:534–42.