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Treino em Circuito

O treino em circuito foi desenvolvido por Morgan & Anderson em 1953 na Universidade de Leeds – Inglaterra. Inicialmente este protocolo de treino era composto por 9 a 12 exercícios, realizados com intensidade moderada (40 a 60% 1 RM), com um número específico de repetições ou quantidade de tempo.

Após o término do número de repetições ou tempo previamente definido, o praticante descolocava-se para outro exercício (Kravitz, 1996).

Estudos epidemiológicos têm demonstrado forte relação entre a inatividade física e presença de fatores de risco cardiovascular como hipertensão arterial, resistência à insulina, diabetes, dislipidémia e obesidade (Rennie, McCarthy, Yazdgerdi, Marmot & Brunner, 2003).

O exercício físico representa a prática de atividade física de um modo planeado e estruturado com o objetivo de melhorar a eficiência e a capacidade do sistema cardiorrespiratório e da força muscular associada com a capacidade funcional e da saúde dos indivíduos (Powell, Paluch & Balir, 2011).

O exercício físico representa a forma mais eficaz da redução dos fatores de risco de: (i) Doenças Cardiovasculares (DCV), nomeadamente a doença cardíaca coronária (Li & Siegrist, 2012) e o acidente vascular cerebral (Li & Siegrist, 2012) (ii) Diabetes, nomeadamente no seu aparecimento, superando os efeitos da dieta e da medicação (Walker, O’Dea, Gomez, Girgis, & Colagiuri, 2010) e o seu controlo (Oliveira, Simoes, Carvalho, & Ribeiro, 2012); (iv) Depressão (Mammen & Faulkner, 2013).

Avaliar antes de prescrever exercício físico

Parece ser consensual na comunidade científica os benefícios da prática regular de exercício físico. Para além disso, também é clara a importância de uma avaliação antes da prescrição, seja por que dose ou tipo de estímulo for. Por conseguinte, a elaboração de um plano de treino em circuito deverá depender sempre das características bio psicofisiológicas do praticante, associado às suas necessidades e objetivos.

Objetividade do treino em circuito

O treino em circuito é uma das tendências atuais do fitness (Thompson, 2016). Portanto, conforme se comprova, existe hoje uma grande procura por todos aqueles que são apaixonados pelo movimento e/ou por quem necessita de promover a sua saúde de forma genérica e prevenir a doença, para que possa viver mais e melhor.

Treino em circuito: o que é, como prescrever, vantagens e benefícios associados

De forma muito genérica podemos definir que o treino em circuito é um conjunto de exercícios físicos realizados um após o outro, que podem ou não ser repetidos, com pouco ou nenhum tempo de pausa.

A prescrição de exercício físico em contexto de treino em circuito dependerá, como acima mencionado, das características, necessidades e objetivos do praticante, no entanto, devemos respeitar alguns princípios metodológicos:

  • Dar preferência aos exercícios com complexidade e espaço de movimentação limitados
  • Considerar os meios e tempo disponível
  • Selecionar a carga dos exercícios em função das capacidades a desenvolver
  •  Estabelecer a sequência dos exercícios, observando as seguintes regras:
    • Aumento gradual da carga
    • Alternância das partes do corpo solicitadas e dos grupos musculares envolvidos no exercício
    • Alternância dos movimentos de flexão com movimentos de extensão.

As vantagens da utilização deste método de treino são muitas:

  • Permite um controlo e doseamento eficientes da carga do treino
  • Possibilita a participação simultânea de um grande número de praticantes
  • Permite o uso eficaz de exercícios com conteúdo e identidade diversificados de forma a resolver em simultâneo diferentes tarefas do treino
  • Permite evitar a monotonia em consequência da alternância de estações
  • Permite a dosagem individual da carga
  • Pode ser aplicado para diferentes objetivos numa sessão de treino:
    • Aquecimento
    • Meio suplementar de treino (descanso ativo)
    • Conteúdo principal do treino.

A utilização do treino em circuito acarreta um elevado dispêndio energético. Revela-se também muito eficaz na melhoria da capacidade aeróbia e anaeróbia, na componente cardiovascular, na diminuição da resistência à insulina, da gordura abdominal e consequentemente na diminuição do peso corporal (adaptado de Buchheit & Laursen, 2013).

O exercício físico, particularmente o treino de força em circuito, é um dos método de treino comprovados para reduzir o declínio acelerado da força muscular exibida por adultos mais velhos (adaptado de Buch et al, 2017)