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Fatores de sustentabilidade em piscinas

As piscinas são instalações desportivas com uma enorme complexidade técnica, quer em termos de infraestruturas, quer em termos de gestão.

Do ponto de vista das infraestruturas, conseguimos fazer uma analogia com um Iceberg, pois acima do nível da água conseguimos observar parte do mesmo, mas sabemos que, abaixo do nível da água há uma parte substancial que está invisível. Assim é com uma piscina, pois vemos a cuba (a piscina propriamente dita) mas não imaginamos a existência de uma casa das máquinas que por vezes ocupa uma área superior à da própria cuba da piscina estando localizada habitualmente por baixo da mesma. Na casa das máquinas, encontramos equipamentos únicos no contexto das instalações desportivas, quer em quantidade, quer em diversidade, e que fazem da piscina uma instalação de uma enorme complexidade e exigência técnica.

Piscinas, tudo o que devemos saber antes de decidirmos investir. O acesso à piscina por parte dos públicos diferenciados, deve ser alvo de fatores de diferenciação, nomeadamente ao nível dos preços praticados, fazendo assim com que a piscina cumpra o seu papel social.

Do ponto de vista da gestão, o facto de uma piscina ter que ter uma temperatura da água e do ar próxima dos 30º (variação entre os 24º e 30º dependendo da tipologia da piscina) significa uma fatura energética com o seu aquecimento, que é determinante para os resultados de gestão, fazendo da procura da sustentabilidade um enorme desafio a conquistar.

Este texto tem por base uma dissertação elaborada com vista à obtenção do grau de Mestre em Gestão do Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana, e em que o foco dessa dissertação, foi estudar os fatores de sustentabilidade das piscinas, partindo do modelo clássico de sustentabilidade nas 3 principais dimensões – económica, social e ambiental.

Do ponto de vista da Sustentabilidade Social, é importante fazer notar que as piscinas devem cumprir a sua missão de equipamento social. A ocupação de uma piscina ao longo do dia pode e deve servir diferentes públicos alvo, e uma piscina só cumpre inteiramente o seu papel social, se acolher públicos diferenciados, nomeadamente as crianças integradas no contexto da escola, as pessoas com deficiência e a população sénior. Estes públicos, para além de utilizarem a piscina em horários diferenciados dos restantes utentes/clientes, contribuindo para o aumento da taxa de ocupação, carecem de horários que se diferenciam das necessidades das crianças, jovens e adultos, que procuram as piscinas no dito horário pós-escolar e/ou pós-laboral. O acesso à piscina por parte dos públicos diferenciados, deve ser alvo de fatores de diferenciação, nomeadamente ao nível dos preços praticados, fazendo assim com que a piscina cumpra o seu papel social.

A dimensão Económica da Sustentabilidade, reporta-nos ao equilíbrio entre as receitas e as despesas de exploração. Conhecendo o nível de despesa de uma piscina, este equilíbrio joga-se pela capacidade de gerar receitas resultantes do número de utentes/clientes que a piscina tem. A procura de resultados de exploração acima do Ponto de Equilibrio (Break Even Point), é o grande objetivo. A sustentabilidade económica de uma piscina fica desde logo definida pelo próprio projeto em duas dimensões relativamente relevantes. Por um lado o pé direito da piscina, e por outro, a profundidade da piscina. Quanto ao pé direito, o volume de ar a tratar, que tem que ser mantido a uma temperatura regular próxima dos 30º, é de tal forma relevante que a despesa com o aquecimento do ar pode ter um peso maior que a despesa com o aquecimento da água. Relativamente à profundidade da piscina, implica com o volume de água a tratar e a aquecer de modo a tornar a mesma utilizável pelos diferentes públicos alvo, temperatura que varia normalmente entre os 26º e os 30º na maioria das piscinas, excepto as desportivas que podem ter temperaturas mais próximas dos 24º (para treino de natação, nomeadamente) e as terapêuticas, cuja temperatura pode exceder os 30º.

A dimensão ambiental da sustentabilidade começa nas soluções construtivas, e nas opções tomadas, nomeadamente: ter ou não um sistema de iluminação de alta eficiência energética, um sistema de aquecimento por coletores solares térmicos, temporizadores e redutores de caudal em toda as torneiras, são medidas que podem significar um nível de eficiência energética que significa uns largos milhares de euros de poupança anual. Para além da sustentabilidade ambiental, com menores consumos energéticos, a médio/longo prazo, essas soluções mais eficientes mas por vezes mais dispendiosas em termos de investimento inicial, tornam-se igualmente importantes em termos económicos, pela redução mensal das despesas de exploração. Uma outra componente da dimensão ambiental passa pela influência sobre a alteração dos comportamentos de utilização das piscinas por parte dos utentes/clientes, que podem significar uma redução considerável da fatura da água e do gás ou eletricidade, evitando os desperdícios desnecessários.

A partir deste conceito de sustentabilidade nas suas 3 principais dimensões – económica, social e ambiental, foi criado um modelo de indicadores que permite avaliar a sustentabilidade de cada piscina.

Esse modelo culmina com a noção de piscina sustentável, cujo desempenho passa por:

  1. Acolher públicos diferenciados, nomeadamente dando cumprimento à sua missão social representando esta pelo menos 25% da sua atividade.
  2. Ter resultados de exploração positivos somando todas as receitas, incluindo os incentivos (receita não cobrada) promovidos ao nível da tabela de preços diferenciada tendo em conta a dimensão social da atividade.
  3. Atingir a Lotação Máxima Diária de 100%, isto é, ter um bom nível de ocupação da piscina em toda a extensão do horário de funcionamento, que conjugada com os preços praticados, possam permitir resultados superiores ao Ponto de Equilibro de Exploração.
  4. Ter um consumo energético de exploração que não represente mais do que 0,50€ por utilização.