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Mais autenticidade para o Fitness "Sine qua non" (Parte 1)

No fitness há muito que se fala em criar e ajustar uma experiência mais motivadora junto dos clientes. Embora o mercado esteja a crescer em número de sócios e diferentes tipologias de ginásios, continuamos a não conseguir retê-los e mantê-los ativos tanto como desejávamos. 

A taxa de abandono média continua bastante elevada, situando-se nos 69%, ou seja, por cada 100 novos sócios, 69 desistem. (Barómetro Fitness em Portugal AGAP 2016). Entendemos ser necessária uma profunda reflexão, nomeadamente sobre a prática de um exercício mais verdadeiro e muito mais autêntico.

“O que nos faz mesmo feliz é gastarmos o nosso tempo e dinheiro satisfazendo-nos por uma autenticidade”.

Tendo em consideração esta frase, Joseph Pine, pai da economia da Experiência, considera como fundamental para o valor económico: os clientes, a qualidade, mas acima de tudo a autenticidade da experiência. 

Para nos ajudar a enquadrar o tema; Autenticidade, Exercício e Fitness, apresenta-se um quadro sucinto esquematizando a evolução económica do valor para contextualizar a Atualidade do fitness:

A autenticidade tornou-se a nova sensibilidade dos consumidores, "Sine qua non" (termo em latim que significa “sem a/o qual não pode ser”), uma clara evolução do valor económico dos bens e serviços que se valorizam na diferenciação, customização e qualidade, ao qual o Fitness não é exceção pois o serviço prestado embora necessário não é suficiente.

REALIDADE OU SONHO?  

Passaram-se mais de 25 anos de Fitness em Portugal e não me parece que as necessidades dos clientes no passado possam satisfazer as atuais. A marca "Fitness" via GOOGLE, FACEBOOK, INSTAGRAM E APPS está identificada como corpos definidos e silhuetas fantásticas, aplicações XPTO, programas de treino simples, metodologias capazes de transformar corpos em 30 dias, transformações milagrosas, sempre com muita alegria e felicidade com mensagens motivacionais altamente inspiradoras! É uma clara e excessiva atracão por um sonho, infelizmente demasiado assente “no parecer melhor” e não “no sentir-se melhor” que precisa de ser alterada.

Estará então este nosso FITNESS a ser autêntico? Será que os clientes estão a ser bem direcionados para a atribuição de objetivos reais? e os clientes estarão informados dos benefícios/perigos da prática de Exercício? Será correta a mensagem transmitida que um corpo definido é sinónimo de saúde e está ao alcance de todos? Será que é mesmo isto que o mercado potencial genuinamente procura?

JUNTOS POR UMA SAÚDE MAIS FORTE

Há muito que médicos, cientistas, professores e investigadores se dedicam a uma melhor compreensão dos benefícios do treino de força para prevenir e tratar doenças, mas nunca tanto como agora.

Já “Hipócrates (considerado o pai da medicina científica, 400ac) entendia os benefícios da atividade física e do controlo da ingestão de alimentos, como fundamentais para uma saúde equilibrada”. 

No decorrer dos últimos anos, o Exercício tornou-se uma constante nas recomendações de boas práticas por parte das mais prestigiadas organizações científicas e governamentais dos países mais desenvolvidos:

• New England Journal of Medicine,

• The Lancet,

• Elsevier - Preventive medicine, 

• Bangkok Declaration on Physical Activity for Global Health and Sustainable Development 2016 

• Organização Mundial de Saúde  (WHO 2011 ...),

• Sociedade Portuguesa de Cardiologia em 2017,

• Plano Nacional para a Promoção da Atividade Física (DGS),

• (muitos outros...)

Fazer Exercício já não é considerado como uma nova moda ou hobby e proliferam metodologias e equipamentos com o fim de tornar esta prática mais qualitativa e de acesso mais fácil.

No entanto a disseminação de informação não contextualizada conduz a uma aleatoriedade da sua prática, por vezes consumada pela ignorância dos praticantes, mas muitas outras da responsabilidade dos próprios profissionais, negligenciando os elementos estruturantes de uma atividade física que se pretende sempre mais segura, principalmente pelo real papel da estimulação física adaptativa, por permitir reais adaptações cardio-neuro-musculo-articulares, potenciadoras da saúde ortopédica, metabólica, cardíaca e psíquica.

PROFISSIONAIS DO EXERCICIO (TEF) COMO INDUTORES DA EXPERIÊNCIA

Então sim, com estes elementos estruturantes bem regulados, com profissionais genuinamente preocupados com os seus clientes, com clientes também alinhados e informados pelos mesmos valores poderemos consumar e promover a prática de exercício como um claro cuidado primário.

Os profissionais de Exercício (TEF) terão que evoluir na sua forma e essência, garantindo uma experiência de treino autêntica, segura, eficaz e eficiente, com um elevado nível de qualidade profissional.

Se o profissional não conseguir acrescentar, então é porque não acrescenta valor á cadeia de valor e brevemente será dispensável do processo. 

Nunca é demais relembrar que as organizações procuram sempre uma maior e melhor eficiência operacional (mais resultados com menos) e com a imparável evolução tecnológica torna-se muito mais fácil controlar e substituir pessoas nos processos. Por isso sejam verdadeiramente úteis para não serem trocados por aplicações e aulas virtuais.

São estas as razões pelas quais é necessário e imperativo, fazer evoluir o nível dos profissionais de exercício para um patamar superior, sob a regulação e coordenação de uma entidade supra, que seja simultaneamente protetora na defesa e ajuste da profissão, passando por um enquadramento fiscal mais justo, uma vez que a situação atual não abona nem os próprios, nem sequer o cliente, enquanto utente final e fator determinante desta equação.

A população está a investir cada vez mais na saúde, prevenindo-a e tratando-a também através do Exercício. No entanto a esse mesmo serviço devidamente acompanhado por profissionais, acresce-se atualmente 23% ao seu valor de base, como se tratasse de um serviço de luxo. Não conseguimos perceber como é que um serviço que contribui diretamente para uma importante redução das despesas púbicas do SNS, (estimado nos cuidados de saúde per capita em 1533,9€ segundo fonte do INE) é encarado como tal.

Os profissionais de Exercício deveriam ser considerados como dos principais aliados para a manutenção/elevação dos parâmetros necessários para uma vida saudável.

Resta pois alertar e solicitar a devida atenção à Direção Geral de Saúde, para ajudar a criar os mecanismos necessários para considerar os verdadeiros profissionais de exercício como pertencentes ao quadro plural de unidades preventivas da saúde – cuidados primários de saúde, que é onde no futuro próximo o exercício realmente se irá colocar por direito próprio.

Enfim, é ainda mais lamentável que já no decorrer deste ano de 2017, os diferentes partidos presentes na Assembleia da Republica se tenham esquecido dos profissionais de exercícios (têm certamente que ser mais alertados para a sua real importância) e tenham por outro lado reconhecido no decorrer deste ano a isenção total do IVA para as profissões do âmbito das terapêuticas não convencionais, reconhecidas pela lei. 

É de sublinhar que se poderia esperar uma poupança da ordem dos 900 milhões de euros, cerca de 9% do orçamento do Ministério da Saúde para 2017, caso existisse um maior apoio e incentivo às melhores práticas de exercício físico.

Mas as atividades do TEF na construção da experiencia não se esgotam nestas vertentes. A segmentação dos clientes, identificando de forma clara as suas necessidades e constrangimentos dos mesmos, e a adequação do treino em função do perfil dos clientes são outras ferramentas essenciais para o desenvolvimento de uma experiencia enriquecedora para o cliente.

A promoção de desenvolvimento do conceito de treino FORÇA sempre clínico, seguro, eficaz e eficiente é fundamental, assim como fomentar nos clientes experiências autênticas, tornando-os mais felizes pelas suas sensações e melhorias graduais da sua saúde.

Esperamos pois, ter obtido a vossa atenção, contribuindo para a discussão e para o fomento de um criticismo saudável, sempre em nome de uma maior importância do Exercício na nossa sociedade.

Na próxima edição da revista continuaremos a explorar o tema - MAIS AUTENTICIDADE PARA O FITNESS “Sine qua non” 2ª PARTE.

Nessa 2ª parte iremos melhor contextualizar as reais necessidades dos clientes face à análise de mercado, falaremos uma vez mais da sensibilidade do consumidor e autenticidade da experiencia percecionada “on demand value”, pois é esta que definirá o preço justo do serviço prestado. 

Porque é que não estamos a aproveitar o treino de força como um caminho exclusivo do Fitness. Continuaremos a insistir na importância da qualificação dos profissionais de exercício (TEF) e reforçaremos a necessidade do seu compromisso POR UM FITNESS MAIS AUTÊNTICO.