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Mais autenticidade para o Fitness "Sine qua non" (PARTE 2)

No seguimento da primeira parte deste artigo publicada na edição anterior abordaremos agora, de uma forma mais aprofundada e contextualizada, nomeadamente a relação com os clientes, o treino de força enquanto indutor único de experiências, o TEF e daremos ainda ênfase ao conceito “O delivering” do treino de força.

ENTENDER AS VERDADEIRAS NECESSIDADES DOS CLIENTES

Para contextualizar e dar continuidade ao artigo consideraremos algumas das necessidades gerais da população:

  • Estima-se que 67% da população é sedentária e que 49% não considera o exercício como importante ou interessante (Soc. Port. Cardiologia 2017).
  • A população sofre de excesso de peso e de doenças metabólicas (...), uma parte da população portuguesa vive sobre um ritmo altamente frenético e desregulado (Soc. Port. Cardiologia 2017).
  • 36% da população indica sofrer de dor crónica (permanente há mais de 6 meses) o que afeta diretamente a economia nacional pelo aumento da taxa de absentismo, baixos níveis de performance e tolerância ao estímulo intelectual/físico (Improving the Current and Future Management of Chronic Paint - Proposal 2010).
  • As dores na coluna, as desordens musculares, a dor cervical e a osteoartrite encontram-se no topo das principais doenças crónicas (Global Burden of Disease, The new england journal of medicine 2017).
  • Estima-se que em 2035 tenhamos mais de 3 milhões de indivíduos (quase um terço da nossa população) com mais de 60 anos (Maria João Rosa Valente - Pordata).
  • O treino de força deve ser a componente principal dos programas de saúde pública (...) Duas sessões de treino de 20 min por semana sem uso a resistências demasiado elevadas, são suficientes (Elsevier - Preventive medicine).
  • A concentração de ginásios encontra-se dividida da seguinte forma: Lisboa 31%, Porto 17%, Braga 9% e Setúbal 8% (Barómetro AGAP 2016).
  • As Modalidades de Fitness necessitam de um maior e mais específico acompanhamento profissional e de um nível de experiência superior, para as modalidades de Cycle, Running, Rowing, Aulas de Barra, Yoga, Pilates, Hiit, Dança.

Na nossa opinião será necessário segmentar o mercado de fitness com diferentes propostas de valor, pelo seu grau de especificidade e aumentar os níveis de permanência do clientes no Fitness.

A segmentação do mercado de fitness surge como clara evolução económica pelo nível de experiência que se pretende criar junto dos consumidores, dispostos a pagar mais para se sentirem mais felizes e melhor servidos. Esta é uma resposta clara de um mercado maduro, disputado atualmente pelo preço. No entanto os clientes irão determinar onde e como querem praticar exercício físico.

Com um mercado claramente a polarizar-se, os profissionais também tendem a acompanhar essa tendência de mercado; ou se diferenciam ou acabam por ter que naturalmente baixar o seu preço hora para conseguir sobreviver.

O TREINO DE FORÇA COMO COMPONENTE ÚNICO DO TREINO 

Os profissionais de exercício (TEF) terão que evoluir na sua formação, garantindo uma experiência de treino autêntica, segura, eficaz e eficiente, com um elevado nível de qualidade profissional.

Estas premissas são fundamentais para criar uma autêntica personalização do exercício e devida valorização.

Neste Trade-Off; tempo, dinheiro e serviço, é pela sensibilidade do consumidor e autenticidade da experiência percecionada “on demand value” que se definirá o preço justo do serviço prestado.

Quanto melhor e mais individualizada for a construção de um exercício de força, melhor será a resposta fisiológica e tal determinará os graus de evolução e de satisfação produzidos, pela respetiva experiência do treino de força.

Qualquer aplicação de força num corpo – provoca uma resistência, a qual terá que promover adaptações fisiológicas precisas e graduais, aos níveis muscular, metabólico e ortopédico, mas também a níveis medulares e cortinais. É aqui que o profissional se pode claramente diferenciar e tornar único na profissão, pela sua correta e ajustada adaptação momentânea e diária do estímulo – sobre uma correta aplicação de força nos clientes. Saber como deformar o diferente tipo de fibras (intrafusais e extrafusais), provocando uma experiência altamente enriquecedora e memorável, tornando-se fundamental a regulação emocional, através da amígdala (importante no desempenho, na mediação e controlo das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira/agressividade. A amígdala é fundamental para a auto preservação, por ser o centro identificador do perigo, gerando medo e ansiedade e colocando-nos em situação de alerta, prontos para lutar) e do hipocampo (particularmente envolvido nos mecanismos de memória, em especial com a formação da chamada memória de longa duração, aquela que persiste, às vezes para sempre. Um hipocampo intacto possibilita-nos comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-nos assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação).

Fará sentido os treinos altamente intensos, não ajustados, sempre a querer superar os limites com constante associações ao “no pain no gain” para atrair, alcançar resultados e manutenção de boas práticas a médio longo prazo?

Estamos absolutamente convencidos que tais práticas incorrem num perigoso círculo de risco e, desta forma, quanto mais adaptado estiver o exercício às reais capacidades de um corpo, mais otimizada será a satisfação da experiência do praticante e daí, obviamente, resultará uma maior taxa de manutenção desse cliente, (porque se gera muito mais felicidade intrínseca e perceção de autenticidade do exercício em que o “delivering” só é possível através do TEF – PT). Assim, se pode potenciar o aumento das taxas de manutenção e de adesão “porque o cliente se sente melhor” e não apenas pelo simples incentivo de um “parecer melhor”.

A promoção de desenvolvimento do conceito de treino FORÇA sempre clínico, seguro, eficaz e eficiente é fundamental, assim como fomentar nos clientes experiências autênticas, tornando-os mais felizes pelas suas sensações e promovendo gradualmente uma melhoria da sua saúde. Só será possível este drive se as estruturas poderem aproximar os centros de decisão junto dos seus técnicos, e, consequentemente, agregarem novo valor. Caso contrário não temos dúvida que continuaremos numa mesma dinâmica de nunca se conseguir manter os clientes ativos pelo nível de satisfação em vez de pelo nível de entendimento da sua natureza essencial para uma vida saudável.

Com mais de 15 anos de diferentes experiências no fitness, atualmente lecionando em média 50 treinos personalizados por semana, com contactos próximos com profissionais e entidades formativas nacionais e internacionais, com uma gestão efetiva de mais de 500 alunos, inúmeras reuniões com diretores desportivos, técnicos e diretores de clubes para perceber e analisar as necessidades plurais, com contacto permanente com as universidades nacionais, com excelentes relações com fornecedores da indústria, maquinaria e outros, com responsáveis pela criação e gestão de eventos específicos de exercício e força, consideramos poder dar mais um contributo válido sobre este tema, nunca deixando de agradecer a todos os parceiros, colegas e colaboradores com quem temos convivido ao longo destes anos.

Esperamos pois, contribuir para a discussão e para o fomento de um criticismo saudável, sempre em nome de uma maior importância do Exercício na nossa sociedade.