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Por que não podemos esquecer o Weightlifting

Apesar de o Weightlifting ter tido origem nos tempos da pré-história, constou dos Jogos Olímpicos somente em 1896, em Atenas.

Criado com o objetivo de medir força, potência e velocidade de execução é, até aos dias de hoje, considerado como o “desporto-Rei” no que toca a potência de execução.

O Weightlifting baseia a sua prática no objetivo de fazer um levantamento de uma barra com carga máxima do chão até acima da cabeça, finalizando com o corpo em total extensão.

O Weightlifting é constituído por dois levantamentos principais denominados Snatch e Clean&Jerk, ambos envolvendo o levantamento de uma barra do chão para acima da cabeça. O Snatch executa-o de forma direta, enquanto o Clean&Jerk consiste em mover a barra do chão para o peito e, posteriormente, do peito para acima da cabeça.

Como treinador de CrossFit, fui percebendo a importância do Weightlifting na preparação física em qualquer tipo de desporto. Não é por acaso que o famoso atleta Rich Froning tem o maior resultado em Weightlifting comparativamente a outros atletas de CrossFit e ganhou os CrossFit Games quatro vezes seguidas.

Todos os desportos requerem quantidades diferentes de sincronização muscular, coordenação, equilíbrio, flexibilidade, força, velocidade, potência e desenvolvimento metabólico. No entanto, poucos são os desportos que trabalham todas estás áreas simultaneamente. Garantidamente, a modalidade de Weightlifting constitui um exemplo dos últimos.

Os levantamentos Olímpicos usam os maiores grupos musculares do corpo humano, de forma coordenada, para produzir o máximo de potência. Não existe nenhum outro tipo de treino que faça o mesmo. Correr, remar, saltar, nadar, empurrar, puxar, todos têm algo em comum - necessitam de potência. Potência é, assim, uma combinação de força e velocidade de execução. Para ter potência é necessário ter força e saber aplicar essa força de forma rápida. Um atleta que seja forte mas lento não vai ser efetivo no cumprimento da tarefa, assim como, do mesmo modo, um atleta com pouca força mas rápido tem fraca habilidade para produzir potência.

O facto de praticar Weightlifting ensina os atletas como aplicar grandes quantidades de força em curtos espaços de tempo. Os weigthlifters aprendem como ativar de forma eficaz e efetiva as suas fibras musculares mais rapidamente que outros atletas que não são treinados desta forma. Isto torna-se fundamental para atletas de desportos que usam o seu peso corporal e precisam de aplicar grandes forças de forma rápida e espontânea. 

Greg Glassman diz que uma das grandes falhas dos programas de fitness tradicionais, desde o bodybuilding até aos exercícios monoestruturais, é a parte neurológica, em particular, o desenvolvimento da coordenação, agilidade, precisão e equilíbrio. Podemos chamar isto de técnica. A técnica é fundamental para conseguirmos executar exercícios com mais carga e, consequentemente, ter uma resposta neurológica mais avançada. A onda de contração muscular que é necessária para realizar um Snatch é incomparável a qualquer outro exercício realizado num ginásio.

Vários treinadores que conversam comigo de diferentes áreas desportivas, confirmam que a partir do momento que começaram a trabalhar levantamentos olímpicos e outras formas variadas, os seus atletas tornaram-se mais fortes, rápidos e, consequentemente, mais potentes. Isto permite que aumentem os seus rendimentos desportivos.

Quando olhamos para o Weightlifting como um complemento para um atleta de outra modalidade há, e sempre haverá, perguntas às quais dificilmente se encontram respostas concretas. Se ensinado de forma correta, com tempo e uma estratégia de planeamento lógico bem definidos, sem dúvida que o Weightlifting pode ser uma grande vantagem para atletas de outras modalidades. Como foi escrito previamente, não há desporto que recrute tanta potência como o Weightlifting e isso torna qualquer atleta muscularmente mais “inteligente”.

Existem alguns estudos que podem e devem ser analisados para percebermos um pouco melhor os benefícios do treino de Weightlifting. Num deles pode ler-se que, em 8 semanas, um grupo fez treino de diversos levantamentos olímpicos (high pulls, power cleans, jerks…) e outro grupo de treino realizou saltos verticais (duas pernas, uma perna, com lanço, sem lanço…). Foi concluído que o grupo que realizou os levantamentos olímpicos aumentou significativamente o seu tempo nos 100m sprint e nos seus saltos a pés juntos comparativamente ao segundo grupo de trabalho. 

Para além de tudo isto, e apesar de muitos pensarem o contrário, o Weightlifting é um desporto com uma taxa de lesão muito baixa. As tabelas de Hamilton, 1994, apresentam dados concretos em que se pode ver que, comparativamente a outros desportos, em lesões por 100 horas de treino, o Weightlifting apresenta um valor de 0.0017% (168,551h) comparativamente com, por exemplo, o futebol, o qual apresenta uma taxa de 6.20%, ou mesmo o basquetebol, com uma taxa de lesão de 0.03%.

Percebemos que o Weightlifting tem todos os ingredientes para ser um desporto de excelência, uma ótima ferramenta auxiliar para qualquer outro desporto e, fundamentalmente, um ótimo caminho para atingir um nível de saúde e fitness que muitos pensaram nunca atingir.

Não podemos esquecer o Weightlifting. Precisamos de dinâmica, atletas que procurem saber mais, que acreditem e que façam com que este desporto, um dos mais antigos do mundo, retorne a Portugal e faça a diferença no mundo do fitness. Acredito que um dia ainda vamos ver muitos espaços físicos dedicados somente ao Weightlifting.

Pratiquem Weightlifting pela vossa saúde.