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Envelhecimento saudável e atividade física

Atualmente, o aumento da expectativa de vida tornou-se um fenómeno global. A expectativa média de vida no mundo aumentou 5 anos entre 2000 e 2015, sendo o maior crescimento desde os anos 60, fazendo com que a média de vida global se situe nos 71,4 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

As melhorias no saneamento básico, as condições de vida mais adequadas, os avanços no controlo de doenças e nas tecnologias de saúde são factores responsáveis pelo grande aumento da expectativa de vida.

A adoção de um estilo de vida ativo proporciona diversos benefícios à saúde, uma vez que é considerado como um importante componente para a melhoria da qualidade de vida e esse efeito é especialmente importante à medida que envelhecemos.       

Foi em 2008 que surgiu um dos primeiros estudos marcantes que forneceu evidência direta sobre o fato que a força física está intrinsecamente ligada ao envelhecimento saudável. Neste estudo, mais de 8000 participantes foram seguidos durante cerca de 18 anos para avaliar a influência da força muscular e da aptidão cardiorrespiratória sobre o envelhecimento saudável.   Notavelmente, indivíduos com idade superior a 60 anos, classificados no terço mais baixo de força, foram 50% mais propensos a morrer por causas diversas do que indivíduos no terço superior. Uma observação chave final deste conjunto de dados foi que, independentemente da força, indivíduos com maior aptidão cardiorrespiratória tiveram uma maior expectativa de vida do que indivíduos com pouca capacidade cardio-respiratória.

Há evidências que, mesmo com baixos níveis de atividade física, já existe uma redução da mortalidade e do aumento da expectativa de vida. 

Não há dúvida que um estilo de vida ativo apoiado por uma dieta adequada é a chave para a manutenção de um corpo forte e saudável. Neste contexto, a importância da força muscular para a longevidade e saúde em seres humanos dá um novo sentido à declaração de Darwin "Sobrevivência do mais apto", como parece evidente que os indivíduos mais fortes e aptos são mais propensos a viver mais tempo e vidas mais saudáveis. 

As recomendações para a prática de atividade física para a população adulta (incluindo 65 anos +) publicadas por diversas entidades, nacionais e internacionais, como a American College of Sports Medicine (ACMS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) entre outras, situam-se em 150 minutos (cerca de duas horas e meia) de atividade física moderada ou vigorosa, acumulados numa semana tipo.        

No entanto, muitas vezes estas recomendações são muito distantes da realidade da vida quotidiana das pessoas e do papel que a atividade desempenha dentro daquela.

Assim, tão importante quanto investigar os benefícios biopsicossociais adquiridos pela prática da atividade física, é compreender os fatores associados que influenciam a sua adesão e manutenção.

A "transformação" dum estilo de vida inativo para ativo é multifacetada e inclui todas as armadilhas e recompensas de aprender algo de novo. Tornar-se fisicamente (mais) ativo após um período (ou uma vida) de inatividade é muito mais complicado que simplesmente a tomada desta decisão.

Uma idade mais avançada não é a altura "típica" para assumir uma nova atividade física ou desportiva. Muitos adultos mais velhos têm uma conceptualização particular do seu corpo que impede ou desencoraja a participação nestas atividades.

No que se refere à motivação de participar em atividade física existe uma necessidade aflitiva de ir além dos binários ativos - inativos, saudável - doente, sucesso - insucesso. Em vez disso, é imperativo trabalhar de forma a facilitar a aprendizagem alegre e agradável ao longo da vida - em vez de desencorajá-la através de um foco na progressão, desempenho e/ ou permanecer "jovem" através da participação.

Precisamos de levar a sério as barreiras à atividade física e de nos abstermos de culpar as pessoas por não cumprirem as recomendações de atividades físicas.

Se procuramos encorajar - não moralmente obrigar, mas encorajar – a participação continua na atividade física, isso deve implicar uma metodologia variada e múltiplos pontos de entrada que convidem as pessoas a começar ou estender a sua atividade física em qualquer idade e/ou qualquer nível de habilidade. Fazer isso requer, entre outros, uma interseção disciplinar (personal trainers, médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, etc.) que visa a promoção da saúde na prática, algo que em Portugal temos ainda que desenvolver.