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Avaliação, Prescrição e Periodização de Treino em Ginásios e Academias

A prática de atividade física tem sido constantemente associada a um decréscimo da morbilidade e mortalidade (ACSM, 2014) e a inatividade física está incluída nos principais fatores de risco de mortalidade a nível global (WHO, 2010).

Dentro do conceito de atividade física, devemos destacar o exercício como sendo um tipo de atividade estruturada, planeada e pessoal, que visa melhorar e/ou manter uma ou várias qualidades físicas (ACSM, 2014).

Posto isto, os profissionais do exercício (PE) devem ter um papel preponderante nesta área de intervenção para a saúde, facilitando a concretização de objetivos, tanto a um nível de saúde cardio-metabólica, de força ou puramente estéticos. A prática de exercício deve ser enquadrada num processo, no qual se destacam três componentes: a avaliação, a prescrição e a periodização.

A avaliação inicial (AI) é o primeiro ponto determinante para que exista uma correta abordagem por parte dos PE aos seus clientes/alunos/utentes. É o momento ideal para estabelecer um contacto mais próximo, que permitirá aferir os reais motivos que levam a pessoa a praticar exercício, sendo o fator motivacional uma componente de grande importância na gestão e manutenção dessa prática. A partir desta informação, para além de poder ser traçado um perfil psico-emocional de cada indivíduo, será possível estabelecer objetivos de treino entre o professor e o aluno. Será ainda importante medir alguns parâmetros que possam ser comparados mais tarde, para verificar a evolução do cliente, devendo ser feita uma avaliação postural (estática e dinâmica), avaliação da composição corporal (peso, % MG,...) e avaliação da força (cálculo do défice de força, RM's, ...). No entanto, cada um dos parâmetros escolhidos deve sempre estar de acordo com os objetivos individuais (não fará sentido avaliar algo que não se voltará a avaliar...). Qualquer avaliação realizada deverá ser repetida com uma periodicidade estabelecida entre o PE e o aluno, para que se possa verificar a evolução tanto a nível fisiológico como a nível psico-emocional. Nesta fase é ainda pertinente sensibilizar o cliente para a importância da prática de uma alimentação saudável e de acordo com os seus objetivos, quer sejam de saúde, performance ou estéticos, devendo ser feito o reencaminhamento para um profissional da área da nutrição.

Com base na AI, será então possível fazer uma prescrição de exercício baseada no indivíduo de maneira a tentar otimizar os resultados pretendidos. O treino pode ser dividido essencialmente em três fases: Preparação do Movimento, Parte Principal e Retorno à Calma. 

A Preparação do Movimento será a fase onde se utilizarão movimentos mais simples, que possam replicar a um nível mecânico e sensitivo os exercícios a realizar na fase principal do treino. Para tal, podem, por exemplo, ser utilizados alongamentos dinâmicos com uma velocidade controlada. Além da preparação da fase principal de treino, nesta fase podem ser trabalhadas as necessidades posturais do cliente, avaliadas pelo PE. Na Fase Principal do treino será a fase onde se procurará melhorar as qualidades físicas (força, resistência, flexibilidade, agilidade…), com vista a atingir o(s) objetivo(s) apresentado(s) pelo cliente (Aumento da Força, Aumento da Massa Muscular, Diminuição da massa gorda…). No Retorno à Calma, o objetivo será repor o equilíbrio fisiológico, com a utilização de algumas técnicas de relaxamento, como, por exemplo, os alongamentos estáticos.

Importante salientar que não deverá existir uma duração padronizada para cada uma destas fases de treino apresentadas. A maior predominância de uma das fases deve estar sempre baseada no nível de treino apresentado pelo aluno, ou seja, um aluno com menor experiência de treino poderá ter maior duração nas fases de Preparação do Movimento e Retorno à Calma, por estas serem fases onde a intensidade e complexidade serão mais baixas e em que o objetivo será promover uma mais eficiente execução dos movimentos.

Para o ACSM, nos anos 2016 e 2017, uma das maiores tendências de mercado são as atividades realizadas em grupo. Este tipo de atividade está documentado como sendo uma forte promotora de exercício e permite uma maior aderência a longo prazo (Burke et al, 2008). Sendo a aderência ao exercício um fator a tomar em consideração, deveremos ter a possibilidade de oferecer aos clientes esse tipo de soluções. Para tal, além da prescrição de exercício mais direcionada para a sala de exercício ou treino personalizado (PT), a grelha de aulas de grupo existente deve dar a possibilidade a quem é responsável pela prescrição de treino de ter uma oferta mais alargada, diversificada e dinâmica. 

O corpo humano responde às dificuldades/exigências que lhe colocamos com adaptações específicas (Liebenson et al, 2014). Para uma melhor prescrição, deveremos ter sempre em consideração a periodização de treino. A periodização tem como objetivo planear o treino a longo prazo a partir de variações sistemáticas e pré-programadas na especificidade, intensidade e volume de treino (Baechle et al, 2008). Esta alternância entre volume e intensidade de treino deverá ser construída de acordo com uma perspetiva macro (ano ou semestre), meso (mês) e micro (semana) (Baechle et al, 2008). Apesar de existirem diferentes tipos de periodização (linear vs não linear vs blocos), o ideal será adaptar o planeamento de treino a partir do nível e dos objetivos do cliente. Está demonstrado na literatura científica que atingem melhores resultados a longo prazo indivíduos que tenham o seu treino periodizado (Rhea et al, 2004).

A maior consciência por parte da população dos benefícios do exercício para a saúde fez com que o mercado do Fitness tenha crescido muito nos últimos anos. De forma a oferecer o melhor e mais eficaz serviço ao cliente, de acordo com as suas necessidades e objetivos, o PE deve por isso estar capacitado a fazer uma prescrição de exercício baseada numa avaliação estruturada e que consiga ser periodizada ao longo do tempo.